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Coopermota incentiva adoção da adubação verde
Coopermota incentiva adoção da adubação verde
CUIDADOS COM O SOLO / 06/05/2014

Plantas de cobertura em meio às plantações tradicionais podem ajudar a equilibrar o sistema; os organismos do solo ajudam a melhorar o equilíbrio na relação solo, água e planta

As altas temperaturas registradas no final do ciclo da safra verão na região do Vale Paranapanema trouxeram sérias preocupações aos agricultores que viram suas lavouras sofrendo com a situação como há muito não se verificava. Ainda não há grandes adesões de produtores da região para o uso de plantas de cobertura, as quais auxiliariam na proteção da umidade do solo, bem como na nutrição das plantas, as quais estariam com mais condições de enfrentar adversidades como a última verificada.
As plantas de cobertura têm apresentado eficácia no auxílio à manutenção da umidade solo, na utilização da camada protetora proporcionada pela decomposição das plantas e o consequente auxílio no controle do mato. Além disso, tem trazido subsídios para a contenção de possíveis erosões e desgastes do solo e proporcionado maior viabilidade para a atividade dos microorganismos para a solubilização-disponibilidade dos nutrientes. Conforme pesquisas divulgadas no setor, as culturas de coberturas favorecem na redução da variação de temperatura, já que a quantidade de massa residual funciona como uma espécie de manta protetora, diminuindo assim a evaporação da umidade do solo.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Paraná (Iapar), Ademir Calegari, avalia que ao longo dos tempos a agricultura deixou de considerar adequadamente as questões ambientais e passou a se pautar muito no uso de diferentes produtos e deixou de se utilizar dos processos naturais de manejo, baseados na avaliação profunda da vida do solo, seu potencial e suas limitações. Ele defende que a obtenção de um solo rico em matéria orgânica e com maior potencial de produção deve ser precedida de uma avaliação precisa dos aspectos químicos e físicos do solo, considerando questões como a infiltração e acúmulo de água e a existência ou mesmo a ausência de microorganismos que auxiliam no desenvolvimento das plantas, enfim, seus atributos biológicos.
No sistema chamado de bioativação, há a melhoria na utilização dos materiais orgânicos, quando adotado o plantio direto e a rotação de cultura, bem como o cultivo de plantas melhoradoras das condições do solo. “Com isso teremos um incremento na biologia da micro, meso e macro fauna e flora das plantações, permitindo que os organismos contribuam para termos mais nutrientes disponíveis às plantas e obtermos um melhor crescimento de raízes e, consequente, de desenvolvimento das plantações”, afirma.
Os resíduos orgânicos das plantas de cobertura favorecem o aumento da população de microorganismos que podem reativar a vida no solo. Dessa forma, a alternância de cultivos é mecanismo definitivo para a manutenção do equilíbrio biológico do solo e o aumento da biodiversidade.
 
DIAGNÓSTICO PRECISO
O pesquisador Ademir Calegari critica as análises que vêm sendo realizadas, apontando que, na grande maioria, elas só conseguem detectar uma parte muito restrita das condições do solo, assemelhando-se ao que seria equivalente à ponta de um iceberg. Para a opção do uso de determinadas plantas de cobertura, no entanto, é necessário, além do diagnóstico exato das condições do solo, a escolha da melhor cultura adaptada à realidade da propriedade, definindo qual delas auxiliará na recuperação e no equilíbrio do solo. É preciso levar em consideração o tamanho do ciclo e o tempo de intervalo entre as culturas comerciais utilizadas na localidade, assim como é importante avaliar o tipo de solo e sua compactação, além da regularidade de chuvas na região e a possível existência de doenças radiculares, entre outros fatores. Calegari destaca que pode ser adotado, inclusive, um coquetel de plantas de cobertura para que se tenha o solo coberto com plantas durante todos os meses do ano. Dessa forma, consegue se explorar todo o potencial produtivo do solo. Estudos apontam um incremento produtivo de 20% até 40% em áreas com a utilização de plantas de cobertura.
O pesquisador destaca, por exemplo, que o trigo mourisco é bastante eficiente para a solubilização do fósforo, assim como o milheto, o capim pé-de-galinha-gigante e as braquiárias são excelentes para a reciclagem de potássio do solo, enquanto que as leguminosas são importantes fixadoras de nitrogênio. “É fundamental que seja considerado o aporte de nutrientes oferecidos por estas plantas, deixando de priorizar a agricultura de produtos e adotando a agricultura de processos, baseada em princípios onde a água e os adubos orgânicos são fundamentais para o crescimento das raízes e a obtenção de plantas mais bem nutridas e que suportem melhor o ataque de pragas. Além disso, busca-se uma produtividade melhor e mais sustentável, com um aumento da biodiversidade, tendo assim o ambiente mais protegido, com menos insumos, pesticidas e poluição”, cita.

 

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